Se a sua empresa está no Simples Nacional, a Reforma Tributária trouxe uma escolha que até pouco tempo atrás não existia: o chamado Simples Nacional híbrido. E ela tem data marcada: até 30 de outubro de 2026, você precisa decidir como vai pagar os dois novos tributos — o IBS e a CBS — no primeiro semestre de 2027.
Parece complicado? Calma. Neste artigo, explicamos em linguagem simples o que está em jogo, quais são as opções e como saber qual faz mais sentido para o seu negócio.
Primeiro, um lembrete rápido: o que são IBS e CBS
A Reforma Tributária vai substituir aos poucos cinco tributos que existem hoje (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): federal, substitui PIS e Cofins a partir de 2027.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): de estados e municípios, vai substituir ICMS e ISS gradualmente até 2033.
Além disso, uma característica importante desses novos tributos é o chamado crédito: quando uma empresa compra de outra, ela pode “abater” o imposto que já veio embutido na compra. Guarde essa ideia, porque ela é o centro de toda a decisão.
Simples Nacional tradicional ou híbrido: as duas opções
A partir de 2027, a empresa do Simples Nacional pode escolher entre dois caminhos:
Opção 1: Simples “tradicional”
O IBS e a CBS continuam dentro da guia única (DAS), junto com os demais tributos do Simples. Na prática, quase nada muda na rotina: você segue pagando uma guia só, calculada sobre o faturamento.
No entanto, o ponto de atenção é que, nesse modelo, o cliente que é empresa só consegue aproveitar um crédito pequeno sobre o que comprou de você — proporcional ao que você pagou dentro do Simples.
Opção 2: Simples Nacional híbrido
A empresa continua no Simples Nacional para os demais tributos (como IRPJ, CSLL e a contribuição previdenciária), mas passa a recolher IBS e CBS por fora, pelas regras do regime regular.
Com isso, o seu cliente empresarial consegue aproveitar o crédito integral desses tributos. Além disso, você também passa a poder aproveitar créditos sobre as suas próprias compras.
Por que isso pode fazer diferença nas vendas
Por exemplo, imagine dois fornecedores vendendo o mesmo produto, pelo mesmo preço, para uma indústria. Porém, um deles gera crédito integral de IBS e CBS; o outro, só um crédito reduzido.
Assim, para o comprador, o fornecedor que gera mais crédito sai mais barato no fim das contas. Por isso, muitas empresas que vendem para outras empresas (o famoso B2B) estão avaliando o Simples Nacional híbrido para não perder competitividade.
Já quem vende principalmente para o consumidor final — como uma loja de bairro, um salão de beleza ou um restaurante — geralmente não tem esse problema, porque a pessoa física não aproveita crédito de imposto.
Vantagens e desvantagens do Simples Nacional híbrido
Simples tradicional:
- Rotina mais simples, com uma guia única;
- Menos obrigações e menor custo operacional;
- Pode reduzir a atratividade para clientes que são empresas.
Simples Nacional híbrido:
- Gera crédito integral para clientes empresariais;
- Permite aproveitar créditos nas compras do seu negócio;
- Exige mais controles, notas fiscais bem preenchidas e acompanhamento contábil mais próximo;
- Pode aumentar o valor de imposto pago, dependendo da margem e do tipo de despesa da empresa.
Ou seja: não existe opção certa para todo mundo. Afinal, a resposta depende de quem são seus clientes, quanto você compra de outras empresas e qual é a sua margem.
Prazos do Simples Nacional híbrido para 2027
O Comitê Gestor do Simples Nacional publicou novas datas em setembro (Resolução CGSN nº 194/2026). Os principais prazos são:
- 1º a 30 de outubro de 2026: período para optar pelo regime regular (híbrido) de IBS e CBS, valendo de janeiro a junho de 2027.
- 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026: janela para cancelar a opção, caso a empresa mude de ideia. Além disso, esse cancelamento é definitivo para o período.
- Março de 2027: nova oportunidade de escolha, valendo para o segundo semestre de 2027.
Essa janela de cancelamento existe para que as empresas possam reavaliar a decisão depois que o Senado definir a alíquota da CBS, prevista para meados de dezembro.
Por fim, a empresa faz a opção no Portal do Simples Nacional.
E o MEI?
O Microempreendedor Individual não participa dessa escolha. Para o MEI, as regras continuam diferentes, e a opção pelo SIMEI segue sendo feita em janeiro de cada ano.
Ainda não está no Simples?
Se a sua empresa quer entrar no Simples Nacional em 2027, o prazo também mudou: o pedido deve ser feito entre 1º e 15 de outubro de 2026. Por isso, vale conversar com seu contador o quanto antes.
Como tomar essa decisão com segurança
Antes de marcar qualquer opção no portal, vale responder a algumas perguntas:
- Quem são meus principais clientes? Empresas ou consumidores finais?
- Meus clientes já perguntaram sobre crédito de IBS e CBS? Grandes compradores estão começando a fazer essa pergunta aos fornecedores.
- Quanto eu compro de outras empresas? Quanto mais compras com nota, mais créditos você pode aproveitar no Simples Nacional híbrido.
- Minha rotina fiscal está organizada? O modelo híbrido exige notas e cadastros bem feitos.
Por isso, o ideal é fazer uma simulação com números reais do seu negócio, comparando quanto você pagaria em cada cenário. Afinal, esse tipo de cálculo considera faturamento, margem, compras e o perfil dos clientes — e é aí que o apoio contábil faz toda a diferença.
Conclusão
O Simples Nacional híbrido é uma das primeiras decisões práticas que a Reforma Tributária coloca nas mãos do pequeno empresário. Portanto, escolher sem analisar pode significar perder clientes ou, do outro lado, pagar mais imposto e ter mais trabalho sem necessidade.
Como o prazo vai até 30 de outubro, não deixe para a última semana. Procure uma contabilidade parceira para simular os dois cenários com os números da sua empresa e entender, com segurança, qual caminho faz mais sentido para o seu negócio em 2027.




